Heloísa



Quando nova, Heloísa era uma menina bastante sonhadora. Sonhava com seu futuro, se iria se casar, ter filhos. Aos 20 anos procurou uma cartomante para saber sobre seu futuro. Tirando as cartas para Heloísa a cartomante disse que apenas viu no futuro de Heloísa que ela morreria atropelada. Heloísa abalada com aquela revelação prometeu para sí mesma que aquela profecia nunca se realizaria. Aos poucos Heloísa foi deixando de sair de casa, deixando de viver sua vida, deixando de conhecer pessoas. Chegou aos 50 anos de idade e vivia só em uma casa, nem nunca sair dela. A casa não tinha luz por que Heloísa nunca saiu para pagar as contas. Um dia, sentada em seu terraço, Heloísa lia uma revista velha que já lera mais de quinhentas vezes e nem viu quando o cachorro de sua vizinha se soltou e saiu correndo pelo meio da rua. A filha da vizinha de 7 anos saiu correndo atrás sem prestar atenção no caminhão que acabara de entrar na rua. O caminhoneiro tentou desviar da garota colocando o caminhão de lado que foi com tudo para cima da casa de Heloísa. Naquela tarde Heloísa morreu. Atropelada. Esmagada. Sozinha.

Fim

Download

Aquele arquivo parecia muito importante, tentaria baixá-lo, mesmo com sua internet lenta!!
Iniciar download... tempo restanto... o resto da sua vida!!!
O que era aquilo?!

Deixou o computador ligado, baixando o arquivo, saiu com os amigos, se divertiu, conheceu alguém, casou, teve um filho, viajou pelo mundo, ganhou muito dinheiro, veio o segundo filho!!!

 Voltou para frente do computador, o download estava no fim... 1%... esperou!!!


A angustia tinha terminado, abriu o arquivo, e deu seu ultimo suspiro!!!

A Professora

Ao entardecer daquele dia as provas haviam sido feitas e agora sobre a forte luz do luar lá estava ela, a professora, corrigindo todas elas. As notas tinham sido as mais baixas possíveis: 0.5, 2.0, 4.0, vez por outra aparecia uma 7.0. As notas azuis eram separadas das demais, não eram muitas, cerca de cinco ou menos. Terminou de corrigir todas as provas antes que o relógio pudesse anunciar um novo dia. Jogou as provas de notas vermelhas no chão de sua sala, bebeu uma taça de vinho e despiu-se. Deitou sobre as provas, as mãos doloridas de tanto corrigir provas tocou-lhe cada parte do seu corpo, do rosto foi descendo e acariciando os seios fartos, a barriga seca e descendo um pouco mais para atingir o local desejado. Era jovem, bonita, mas continuava solteira, haveria algum tipo de homem aceitaria um fetiche tão estranho quanto o dela de reprovar os alunos. Começou a passar os olhos pela vermelhidão das notas. Perdeu-se em seu mundo, em sua loucura. E ficou deitava ali a noite toda, sentindo prazer.

FIM

Meu amor

Você é meu!!!

Meu!!!
Só meu!!!
Apenas meu!!!
De quem você é?!
Por que você não me responde?!
Ah, é!
Tem razão!!
Você não pode!!
Eu te matei!!
Por que você não queria ser meu!!!
Mas agora, seu corpo é meu!!
MEU!!!

Tijolo, tijolo


Tijolo, tijolo.
Ele construía uma casa para ela.
Tijolo, tijolo.
Sentada, ela olhava ele trabalhar.
Tijolo, tijolo.
Estavam em um campo, afastados de toda população.
Tijolo, tijolo.
Ele sorria, ela chorava.
Tijolo, tijolo.
As cordas que a prendiam estavam muito apertadas.
Tijolo, tijolo.
Ele prometeu que os dois ficariam juntos para sempre.
Tijolo, tijolo.
Os pés dela endureceram junto com o cimento.
Tijolo, tijolo.
“Por favor, não!”
Tijolo, tijolo.
“Não podemos nos separar.”
E então, o último tijolo foi posto na casa.
Ambos ficaram presos na escuridão da casa.
Ela gritou, do lado de fora, ninguém a ouviria.


Fim!!!

Reflexo

Tudo aconteceu enquanto dona Tereza esperava um ônibus na rodoviária. Era noite e ela tinha que estar na outra cidade logo cedo para fazer um concurso. A rodoviária estava com umas 13 pessoas em média. Dona Tereza, chamada de dona por já passar dos 40, foi até o banheiro, não era um dos mais limpos, mas dava perfeitamente para ser usado. Ela usou o sanitário, lavou a mão e se preparou para sair quando algo bloqueou sua passagem. Não tinha nada ali, mas ela não estava conseguindo passar, andou uns dois passos para trás até ser bloqueada novamente. Abriu a boca para gritar por socorro quando uma forte pressão impediu que o som saísse, como se alguém tivesse colocado a mão sobre sua boca. Sentiu seu vestido aos poucos sendo levantado e uma forte dor na sua vagina há muito tempo não usada a fez derramar algumas lágrimas. Virou o rosto um pouco para o lado e viu pelo espelho do banheiro seu reflexo sendo segurada por três homens, todos de preto e com chapéu na cabeça impedindo de ver seus respectivos rostos. Depois do estupro a pressão sobre seu corpo sumiu a fazendo cair no chão. Levantou-se rapidamente e correu para pedir ajuda. Todos que estavam na rodoviária entraram no banheiro na tentativa de pegarem os bastardos que haviam se aproveitado da pobre senhora, mas não tinha ninguém lá. Em prantos Dona Tereza contou com tudo aconteceu. Ninguém sabe se história foi mesmo verdade ou não, só se sabem que depois disso dona Tereza ficara completamente louca. E enquanto ao tal banheiro, ninguém nunca mais o usou novamente.

FIM

Sexy Vampire


O sol nunca poderia ser visto, passava o dia trancando em seu porão, onde nenhum raio solar se atreveria a entrar. Quando seu inimigo finalmente partia, deixando o céu aos braços da escuridão, é que ele podia realmente deixar seu lar e partir para o trabalho.
Era DJ, tocava nas casas de show até perto do amanhecer. Suas melodias sempre tristes sonetos eletrônicos baseados em todas as vitimas que ele levava para casa. Suas apresentações bombavam em cada lugar que se apresentava.
Não era difícil de se apaixonar por ele, belo corpo, rosto sempre jovem, sorriso sedutor. Sempre ia para casa com alguém, uma vítima de seu charme. Fosse homem ou mulher, a vítima sempre iria embora no dia seguinte, com o coração partido, sem direito sequer de ser acompanhado até a porta.
Ficava o resto do dia compondo melodias, refletindo sobre sua doença, que o impedia de ver o sol e que o fazia viver ali eternamente, como um vampiro. 

FIM

O vizinho que gritava


Yvone se mudou numa manhã de sábado. A casa nova era pequena e estava muito abaixo do preço de mercado desde que a ultima moradora sofreu o infarto que a matou no chão de sua cozinha. Passou o diz de sábado inteiro arrumando a casa, recebendo os móveis que iriam chegar, e fazendo ligações para suas amigas conhecerem a casa no dia seguinte. Depois de um longo dia foi dormir cedo. E dormiu direto até as 02:55 da madrugada por um grito que ouvira do lado de fora. Sentou-se na cama e ouviu o grito se repetir, era uma voz masculina que dizia PASSA!
Yvone foi até a janela de seu quarto e pela brecha da cortina viu a casa do vizinho que ela ainda não conhecia. Um senhor de cabelo grisalho, que estava no quintal de roupão e com uma enxada na mão. Gatos talvez. Naquela noite, voltou a dormir.

Como nasce uma estrela


Escondido em uma das ruas da ilha de Manhattan crescia Gael, que desde cedo já sabia o que queria ser da vida: cantor. Queria ter sucesso, uma vida cercada de pessoas o admirando e invejando. Porém, chegaram seus onze anos de idade trazendo junto a crescente insatisfação com o seu corpo. Sentia-se estranho, preso em um corpo que não o pertencia. Movido pela inocência da infância Gael resolveu se abrir com sua mãe Cynthia sobre seu corpo, mas sua mãe disse que aquilo era normal e que ele se sentiria estranho nos próximos dias por estar entrando na vida adulta. A medida que o tempo passava, foi surgindo também no garoto uma certa atração pelos outros garotos da rua. Apesar de sempre sentir-se confiante para desabafar com a mãe, resolveu guardar aquilo com ele por um tempo, mas não guardou por muito tempo. Motivado pela primeira paixão de sua vida criança, Gael resolveu se declarar para seu vizinho Lenny, que o chamou de frutinha enquanto o espancava. Chegando ensanguentado em casa, sua mãe logo preocupada questionou o que ocorrera, Gael começou a narrar os fatos quando foi interrompido por seu pai, um bruto italiano de nome Joseph, que o bateu mais naquela noite, para que o filho aprendesse a ser homem.

Sob a luz das estrelas



Karla acreditava que finalmente havia encontrado o homem perfeito. Ele era sempre atento com ela, carinhoso e cheio de surpresas. Naquela noite, ele prometera que a levaria para um lugar especial. Passaram-se 40 minutos desde que eles haviam saído de casa, os olhos dela estavam vendados, mas mesmo assim ela estava super empolgada com aquele encontro. Fred, seu namorado parou o carro e a ajudou a descer, foi direcionando até o local final, lá ele tirou a venda dela.
Karla ficou abobada, es
tava em um campo vazio, no centro tinha um lençol ao redor de várias velas. Ninguém nunca tinha feito algo tão romântico para ela em todos os seus 27 anos de vida.
Sob a luz das estrelas ambos ficaram deitados. Tiveram tempo para fazer várias coisas, e agora só estavam descansando. Fred ainda havia levado algumas frutas e ambos comiam até Karla se levantar assustada.